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Por que e como deixar de consumir plástico

O plástico sintético parece estar em todos os lugares na nossa sociedade de consumo: em garrafas, roupas, pacotes de comida, recipientes, sacolas, canudos, copos, escovas de dentes…


Mas você sabe o que exatamente é o plástico e por que ele é tão onipresente?


O plástico é um material de produção humana, criado em 1907, e que teve sua industrialização intensificada após a Segunda Guerra Mundial. Foi desenvolvido especificamente em razão de sua durabilidade, por ser não-biodegradável.


Isso significa que o plástico resiste por mais tempo ao processo natural de decomposição. Os plásticos contém aditivos que os deixam mais flexíveis, mas que estendem a decomposição por até 400 anos!


Tal característica é justamente o que torna o plástico tão perigoso para o meio ambiente e para a saúde humana.


plastico

Por que o plástico é um problema?


O plástico não costuma ser propriamente descartado em incineradores ou em centros de reciclagem; na maioria das vezes é simplesmente lançado no local em que sua utilidade ao consumidor chegou ao fim. Dessa forma, o plástico lançado por janelas de carros ou jogado no chão das ruas é levado pelo vento e costuma chegar com facilidade aos oceanos.


Além disso, em comparação com outros materiais (como papel, ferro, alumínio e vidro), o plástico possui baixa taxa de recuperação via reciclagem, uma vez que seu ponto de derretimento é baixo, o que impede que os ingredientes tóxicos sejam expelidos durante o aquecimento e o reprocessamento, etapas do ciclo de reciclagem.


A vida animal, seja em terra ou em água, é profundamente afetada pela poluição por plástico. Animais podem ficar presos em sacolas ou em embalagens de plástico, vindo a morrer por terem ficado emaranhados.


Peixes e aves podem confundir plástico com comida ou ingeri-lo ao ser quebrado em pedaços menores (o chamado microplástico). O plástico pode então bloquear o trato digestivo e perfurar órgãos de modo fatal. Estômagos de animais que ficam cheios de plástico reduzem a vontade de comer, o que causa inanição.


O plástico, entretanto, não é nocivo apenas para animais. Também os seres humanos podem experimentar os seus malefícios.


Em debate na Comissão de Meio Ambiente, disponibilizado no site do Senado, Marcelo Montenegro, editor do Atlas do Plástico, alertou sobre os riscos do plástico à saúde humana:


O microplástico também ameaça a nossa saúde. Uma pessoa pode ingerir até 5g de plástico por semana, algo como um cartão de crédito. Um risco físico por ser um corpo estranho, que não faz parte da nossa alimentação normal; um perigo químico, porque os produtos de plástico contêm elementos químicos, muitos deles tóxicos, alguns até cancerígenos. Tem um estudo do sangue de mulheres grávidas que já detectou uma média de 56 produtos químicos industriais diferentes, muitos deles originários de produtos de plástico, e cientistas da Itália identificaram, pela primeira vez, a presença de microplásticos em placentas de mulheres grávidas.

Ademais, os plásticos contem Bisfenol-A (BPA), uma substância que, ao contaminar a comida ou a bebida, pode aumentar os riscos de câncer. Um teste realizado pela Universidade Estadual de Nova York em 250 garrafas de água de 11 marcas líderes do mercado revelou que havia micropartículas de plástico em 93% delas.


lixo plastico

O plástico em números


Segundo a BBC UK, a cada ano, 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas, dentre as quais 40% se destinam ao uso único antes do descarte.


Mais de 8 toneladas de plástico anualmente chegam aos oceanos. Estima-se que, em 2050, a quantidade de plástico no oceano será mais pesada do que a quantidade de peixes.


Ainda, e de acordo com os dados disponibilizados pela National Geographic, metade de todos os plásticos já fabricados na História foram produzidos apenas nos últimos 15 anos. A produção passou de 2,3 milhões de toneladas em 1950 para 448 milhões de toneladas em 2015.


O plástico pelo mundo


Estatísticas de 2022 da World Population Review trazem uma lista dos 10 países que mais causam poluição por plástico no mundo. Infelizmente, o Brasil ocupa a 4ª posição do ranking de produção de lixo plástico:


  1. China: 59.079.741 toneladas

  2. Estados Unidos: 37.825.550 toneladas

  3. Alemanha: 14.476.561 toneladas

  4. Brasil: 11.852.055 toneladas

  5. Japão: 7.993.489 toneladas

  6. Paquistão: 6.412.210 toneladas

  7. Nigéria: 5.961.750 toneladas

  8. Rússia: 5.839.685 toneladas

  9. Turquia: 5.596.657 toneladas

  10. Egito: 5.464.471 toneladas


É possível viver em uma sociedade sem plástico?


Apesar da inviabilidade de suprimir por completo o uso do plástico, dada a imensidão de sua produção, é inegável que deve haver um esforço por parte não somente dos países, mas também dos próprios indivíduos, a reduzirem o consumo do material, bem como seu descarte indevido.


Nesse sentido, e não obstante a oposição de Brasil, Estados Unidos e Argentina, mais de 180 países acordaram, em 2019, para incluir o plástico na Convenção de Basileia, o tratado que controla o movimento de resíduos perigosos de um país para outro.


Recentemente, no Brasil, diversas leis foram editadas para proibir o uso de sacolas e canudos de plástico em estabelecimentos comerciais. Os canudos têm sido substituídos pelos de papel, e os consumidores têm sido incentivados a usarem sacolas pessoais reutilizáveis.


reciclagem

Dicas para reduzir o consumo pessoal de plástico


Você pode fazer a sua parte na redução do consumo de plástico! Não é uma tarefa impossível, pelo contrário, basta substituir o plástico por materiais menos agressivos ao meio-ambiente e à saúde.


Por exemplo, em vez de constantemente usar ou comprar sacolas de plástico no mercado, tenha sua própria sacola reutilizável. Dê preferência, no momento de fazer compras, a produtos acondicionados em recipientes de vidro, embalagens de papel ou de papelão.


Ao encomendar refeições, peça para que o restaurante não entregue talheres descartáveis com a sua comida.


Substitua as garrafas d’água de plástico por uma garrafa reutilizável e leve seu próprio copo/caneca para o trabalho, em vez de usar copinhos descartáveis. Troque os canudinhos de plástico pelos de papel.


Substitua as roupas sintéticas (como nylon e poliéster) por roupas de outros materiais.


Em vez de comprar escovas de plástico, opte pelas que são feitas de madeira.


O principal é que o consumo seja consciente. Quanto mais você substituir o plástico por materiais menos poluentes, mais você ajuda o meio-ambiente!







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